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Crítica do livro: Todas as Cores do Céu

Escrito em 15/01/2021
Revista Tudo


Esse livro nos remete o tempo todo ao divino, a natureza divina e do valor que se deve dar a ela. Do divino Deus que castiga e do demônio que aproveita dos que desrespeitam esse Deus para fazer valer os seus desejos; para o humano não restava muitas alternativas, a não ser sofrer respeitando o seu Deus e sendo castigado, tanto por ele quanto pelo demônio. Passa a vida a sofrer abusos, maus tratos, fome, miséria e, mesmo assim, se mantém resignado em nome desse Deus maldoso e abusivo criado pelo homem possuidor de riquezas, que lhe dá o poder para roubar a vida dos menos favorecidos, num país massacrado pelas desigualdades sociais que é a Índia.

As mulheres não existem como pessoas; são mercadorias  baratas, abusadas por machões brutos e infelizes que tentam lhes tomar até a esperança; mas, elas se mantêm firmes e fortes e, mesmo dilaceradas, tentam se manter em pé.

Tantas tradições que aprisionam as meninas pobres, forçando-as a se prostituírem; dizem que seu destino já está traçado, não lhes oferecem nenhuma outra possibilidade a não ser o abuso físico e emocional. São obrigadas a aceitar essa tradição pois, caso resistam, são desprezadas até por sua família, uma vez que o sustento de todos advém da distribuição do seu corpo quase de graça.

O vazio que fica em nosso coração diante de tanta violência torna a história desse livro inquietante, mesmo com toda a beleza poética de sua escrita, mesmo com a torcida para que o amor sobreviva, talvez por conter a tristeza de tantas mulheres, como diz Mukta.

Autora: Amita Trasi
Categoria: Adulto
Editora:Harper Collins
Comentário de Nanci Lourenço