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Sim, a moda também é contagiante.

Escrito em 09/09/2020
Revista Tudo


Apocalipse Now. A moda, assim como tudo que reflete o nosso comportamento, está suscetível às mudanças geradas pela pandemia que estamos vivendo. E também é contagiante! Após a Primeira Guerra Mundial, as mulheres adotaram roupas com um toque masculino enquanto o clima global acelerava suas liberações. Já após a Segunda Guerra, o New Look trouxe uma resposta sexy e alegre para a libertação das parisienses, e, mesmo não havendo redes sociais globais, as saias rodadas e compridas, a cintura fina e os ombros arredondados ganharam o mundo. O novo modelo de vestir surpreendeu as mulheres que não esperavam nada parecido em uma situação tão crítica pós-conflito. A recuperação do lado feminino restabeleceu a confiança abalada. 

Pandemia fashion. Apesar de serem bem diferentes, as guerras e pandemias compartilham escala global e impacto econômico muito parecidos. A moda já começa a ter a sua resposta ao vírus. Os estilistas estão trabalhando para torná-la relevante novamente, pois ela foi, é e sempre será uma interpretação do momento. O fato é que ninguém espera ir a uma loja que parece mais uma sala de descontaminação, entrar com as mãos encharcadas de álcool em gel e ser atendido por vendedores mascarados. O grande desafio é agregar valor ao ato da compra, como: proteção, conforto ou alegria. 

Revolução em ebolição. Algumas marcas poderão reagir de maneiras diferentes conforme as suas visões da moda. Podem presumir que a crise reforçará seus engajamentos já adotados, sejam eles ecológicos ou sociais. Mas também poderão haver grandes mudanças. A moda não irá se comportar como uma mentira sobre o que está acontecendo no mundo.  

Save yourself. Mais do que nunca, a proteção e o conforto serão essenciais. Os consumidores pós-pandemia querem roupas que os protejam, mas que também sejam confortáveis e elegantes. Querem uma camada de proteção que possam tirar ao voltar para casa. Os nossos hábitos mudaram então as roupas terão que ser adaptadas, seja através de um maior desenvolvimento de tecidos em relação à lavagem ou até algo antibacteriano, antivirótico.  

Sustentando novas ideias. O novo consumidor quer uma moda sustentável pois acredita que a sustentabilidade é um elemento importante na preservação do nosso planeta. Mas muitos não se limitam a discutir sustentabilidade apenas no âmbito da moda e nem entendem que ser sustentável se restringe às questões ambientais. Para eles, é possível ser sustentável na alimentação ao consumir produtos orgânicos livres de agrotóxicos, por exemplo. Na moda, ao optar por comprar roupas de marcas que não utilizam o trabalho escravo. E no descarte de resíduos, ao realizar a separação do lixo promovendo a coleta seletiva. 

Forever young. Mas quem é esse novo consumidor? De onde vem? Como vive? Do que se alimenta? Sim, estamos falando de você que é jovem e tem um papel fundamental na difusão de comportamentos. E nem estamos falando de idade não, mas sim na capacidade de inspirar outros jovens que também são influenciados pelas redes sociais. Cabe então a você, disseminar e destacar novos hábitos que minimizem danos ao meio ambiente e incentivem a redução do desperdício. O novo consumidor, cada vez mais, está priorizando as marcas nacionais que tenham um posicionamento claro, focado na sustentabilidade. 

Invente moda. Viu como nem tudo está perdido? Grandes acontecimentos, sejam eles positivos ou não, servem de combustível para um novo modo de pensar, agir e reagir diante do novo. A nossa capacidade de adaptação é imensa. O nosso potencial de evoluir é infinito. Foi na adversidade que nasceram grandes ideias que revolucionaram o mundo. A hora é de arregaçar as mangas e deixar-se contagiar com energias positivas. Aja, reaja, crie. Só depende de você.  

Celso Finkler – celsofinkler@hotmail.com