+ Revista TUdo

Home Office e Home Schooling – como trabalhar e estudar com a família toda dentro de casa?

Escrito em 23/04/2020
Revista Tudo


O coronavírus nos arrebatou, isso é fato. Do dia pra noite foi decretado o isolamento e, com exceção dos serviços essenciais, nos vimos em casa, em isolamento social, para tentar combater este vírus tão contagioso.

E além de lidar com medos, ansiedade e a insegurança do que acontecerá, tivemos que aprender a trabalhar de casa e organizar uma rotina que inclui estudos das crianças, atividade física, cobrança do chefe, organizar o almoço, meditar, rezar, acompanhar o noticiário e respirar bem fundo pra não pirar.

Passado o susto inicial, as coisas vão se ajeitando e tudo parece encontrar sua maneira de funcionar.

Reunimos aqui dicas e exemplos de quem está fazendo o home office e o home schooling acontecer de maneira saudável e funcional.

Home Office

Antes de tudo, é preciso organizar um ambiente para que você trabalhe e produza. Engraçado como agora a gente valoriza o escritório, né? Lá já tem tudo! Mesa, cadeira, computador, caderno, caneta, café....

Pois bem! Para que o seu home office funcione, é importante organizar este espaço.

Você vai precisar:

=> Uma mesa ou escrivaninha adequada, com uma cadeira confortável. É importante lembrar que, muitas vezes, você fará sua jornada de trabalho normal e por isso, a banqueta da cozinha não vai funcionar sem causar dor nas costas.

=> Um notebook ou desktop com desempenho intermediário, afinal as reuniões agora serão virtuais. Neste quesito, é fundamental providenciar fones de ouvido, câmera e microfone (caso o do computador não esteja funcionando).

=> Iluminação – se conseguir luz natural é ótimo (pra saúde também), mas é bom pensar em uma luminária caso o trabalho se estenda até à noite.

=> Bem-estar – você não está trabalhando em casa porque quer, então, transforme este momento numa experiência prazerosa. Coloque uma planta no seu ambiente de trabalho ou reserve um cantinho para o café. Sim, este home office é temporário, porém, não sabemos ao certo quanto tempo vai durar.

Feita essa configuração do espaço, agora é hoje de planejar, organizar e se habituar a este novo momento.

Comece o dia se organizando. Faça uma lista de tarefas, priorize, organize as reuniões e não se esqueça das pausas programadas. Afinal, no escritório você faz essa pausa para um cafezinho, uma olhada na internet, um telefonema para um amigo e por aí vai.

Estabelecer essa rotina vai fazer toda a diferença!

Temos percebido, e muita gente comentou, que em casa se trabalha mais do que no escritório. E isso pode acontecer mesmo. Por isso, é importante estabelecer horários e metas. Afinal, o momento exige sim distrair e descansar.

Outra questão super importante é se cuidar. Tomar banho, trocar de roupa, fazer a barba, passar um batom.... tudo isso fará você se sentir de fato trabalhando e tendo rotina. E certamente fará diferença no seu resultado.

Adaptações e concessões

Porém, apesar de todo o planejamento e organização, a situação toda é super atípica. Por isso, uma vez que você estabeleceu sua rotina, é importante comunicá-la aos seus pares, ou seja, sua família e as pessoas que moram com você.  Você deve contar seus horários, a agenda do dia e os seus compromissos, assim todo mundo concilia os afazeres e a vida acaba ficando mais leve e organizada.

Renata Viel, empresária, casada com Jorge, também empresário, é mãe de Cristina, 14 anos, 9º ano do Ensino Fundamental e do Pablo, 8 anos, 3ª série do Ensino Fundamental. Estão todos em casa, há quinze dias, e já se habituaram à nova rotina. “A escola da Cris tem muito mais conteúdo e uma plataforma online estruturada, o que facilita muito o aproveitamento dela nas aulas. Já o Pablo, por ser menor, tem menos lições e atividades, porém as professoras enviam aulas e tarefas todos os dias. Pela manhã, eu e meu marido vemos os compromissos e comunicamos às crianças. Do mesmo jeito que eles nos comunicam se há alguma vídeo-aula que precisam de mais silêncio e concentração. Estabelecemos uma rotina de respeito mútuo às prioridades e compromissos de cada um e isso faz com que as crianças se sintam importantes e acolhidas, facilitando muito a rotina. Não é fácil, confesso, mas estamos fazendo parte de um momento histórico, né? Quero que meus filhos se lembrem disso de uma forma positiva ”, diz Renata.

 



Escritório da Renata e sua família

A jornalista Mariana Marçal está em casa com o marido, a filha Emanuelle, de 21 anos e a filha Luiza, de quase 2 anos e, com um bebê em casa, o desafio é outro. “A Luiza não entende o que está acontecendo e acha que está todo mundo ali pra brincar com ela. Exige atenção da hora que acorda à hora que vai dormir. Então nossa rotina de home office é adaptada às necessidades dela. Eu, meu marido e minha filha mais velha nos dividimos para criar momentos e brincadeiras com ela. Organizamos nossos dias de acordo com os compromissos de cada um e vamos vivendo um dia de cada vez.  Eu não abro mão da minha prática diária de ioga, que me ajuda a manter a calma e o equilíbrio. Assim, cada um vai se adaptando conforme as situações vão surgindo. Apesar de exaustivo, confesso que tem sido delicioso ver o desenvolvimento da Luiza a cada dia, cada aprendizado, uma música ou palavra nova que ela aprende. Se eu estivesse na minha rotina de trabalho, não teria isso”, comenta. Dores e delícias, não é mesmo?

 



Luiza, Mari e Odair

Home Schooling

Especialistas garantem. Este é um novo momento para a educação. A tecnologia, já tão presente, se torna protagonista. E mais do que os alunos, os professores precisam se acostumar a este novo jeito. Governos e Secretarias de Educação já têm projetos e iniciativas online para minimizar a perda de aulas dos mais de 43 milhões de alunos matriculados na educação básica no Brasil.

A psicóloga e psicopedagoga Christiane Cerretto acredita que o momento é de união de forças – famílias e escolas - para conseguir passar por isso de maneira tranquila. Segundo ela, à escola cabe cuidar do conteúdo pedagógico, mas também deste momento como um todo. Crianças pequenas, por exemplo, não vão ficar na frente do computador por muito tempo. Por outro lado, os maiores precisam absorver e assimilar conteúdos, muitas vezes, densos. Assim, a escola precisa preparar sua equipe e ter a sensibilidade de entender que a quarentena afeta e assusta a todos.

Ela acrescenta que, cabe às famílias colocarem a rotina de estudo dos filhos dentro da suas rotinas de home office, supervisionarem o que está sendo feito e estimularem o conhecimento. “Escolher bons filmes, ler livros juntos, proporcionar atividades que contribuam para o aprendizado, utilizando a internet e a tecnologia para que todo mundo aprenda e se divirta também”.

Ou seja, sabe aquela história de fazer dos limões, uma limonada? É exatamente isso!