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Sucesso e Fracasso: Esses dois grandes impostores

Escrito em 07/04/2020
Revista Tudo


Dia desses, inquietos, voláteis e impactantes dias de 2020, reli uma micro biografia do empresário Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha. Morto aos 94 anos, em abril de 2007, não posso deixar de lembrar, para constrangimento de muitos e aí me incluo, que um dos protagonistas da modernização da mídia brasileira no século passado manteve-se ativo profissionalmente até o fim de 2006.  

Aprendi com meu mestre o quanto pode ser valioso estudar a trajetória de homens como o empresário Frias. Na verdade, qualquer percurso humano é digno de aprendizado. Nestes momentos de reflexão e estudo da vida alheia, sempre somos tentados a descobrir a fórmula do sucesso, ou no mínimo desvendar como evitar o fracasso. De maneira tola, em nossos frequentes sonhos infantis, perseguimos o ideal do sucesso permanente e do fracasso erradicado. É preciso desconfiar que nada nesta vida é tão descontínuo quanto o sucesso.

Frias foi mais longe. Citando o poema “Se”, de autoria do poeta britânico Rudyard Kipling, ele provocou: “O sucesso e o fracasso são dois grandes impostores”. Ouvir isso da boca de um homem que construiu um dos maiores impérios da mídia brasileira é tanto perturbador quanto pedagógico. Ah! E para que eu e você – destemido leitor – não desanimemos, o publisher do Grupo Folha iniciou a história dessa empresa três anos após ter completado metade de sua vida. Era, naquela altura, já um cinqüentão.

Neste exato instante cruza o meu espírito a bela palavra equanimidade, que significa, numa tradução livre, igualdade de alma tanto no fracasso quanto no sucesso. Era dessa palavra que eu precisava! Ser equânime é não dar crédito a esses dois ‘um-sete-um’ (do artigo 171 do Código Penal, referente a estelionato), mais conhecidos como os irmãos fracasso e sucesso. E não dar crédito, não é deixar de ter metas claras e objetivas e fazer tudo o que estiver ao seu alcance, colocando o melhor de si em cada palavra, cada ato, projeto ou tomada de decisão. Tampouco é colocar de lado virtudes como disciplina, planejamento, auto-aperfeiçoamento, esperança e fé no seu taco, para não estender a lista.

Ser equânime é aquele que não se deixa abater quando o fundo do poço já está à vista e, de fracasso em fracasso, pois muitas vezes é essa condição que a vida nos impõe, jamais perde o entusiasmo. Ser equânime é aquele que quando o sucesso lhe sorri, ele sorri de volta, lembrando que no dia seguinte o sorriso pode não estar mais lá. O ator Marlon Brando foi um exímio frequentador desses dois opostos e nos ensina: “Um excesso de êxito pode arruinar um homem tão irremediavelmente quanto um excesso de fracasso”.

A trama da vida é feita de fios sombrios e luminosos. Cabe a nós a tarefa de tecê-los com sucesso.

“A alma mais forte e mais bem constituída é aquela que os sucessos não orgulham e os revezes não abatem.” Plutarco

Fernando Vianna é instrutor de Meditação e Revitalização Integral. É consultor de I Ching, palestrante e realiza consultoria e treinamento em aperfeiçoamento pessoal.

ferseth@gmail.com