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Mende Criadora!

Escrito em 04/10/2019
Revista Tudo


Vou lançar-lhe um desafio: procure manter-se o mais concentrado possível até o final da leitura. Talvez perceba o quanto nossa mente é fugidia, inquieta e facilmente atraída por tudo e por todos. Além de desviar a atenção a todo instante, uma baixa qualidade de concentração dilapida a energia necessária para a realização de uma dada tarefa.

A definição da palavra concentrar é fazer convergir para um centro, ou para um mesmo ponto. Em geral, nossa mente está sempre se movendo, incapaz de fixar-se num mesmo assunto. É só quando ela sossega que efetivamente geramos poder de realização. É como concentrar raios solares usando uma lente. Ao atravessá-la, os raios, antes dispersos, convergem para um único ponto criando energia suficiente para produzir fogo. A atenção tem essa mesma característica. Focada, concentrada, ela nos torna muito mais produtivos. Sua capacidade de concentração nasce da renúncia deliberada ao que a atrai e dispersa. É fruto de um treino de vontade e decisão. Quando estamos de fato concentrados, aplicamos, ao mesmo tempo, a totalidade de nossas forças – atenção, sentimento, ação – na conquista da meta almejada.    

É preciso educar a mente. E uma excelente maneira de fazê-lo é dedicar alguns minutos de seu dia, todos os dias, à tentativa de unir-se com o silêncio que existe por trás do mecanismo dedutivo intelectual. O raciocínio nos é indispensável, mas muitas vezes, ironicamente, é ele que impede o acesso ao conhecimento intuitivo, à inspiração, ao impulso criador. A criatividade, antes de mais nada, é uma fagulha, uma explosão, e não um processo como o mecanismo raciocinante. Este dará suporte posterior, organizando e estruturando boas ideias.  

Com seu poder de análise e dedução, a mente enxerga tanto o positivo quanto o negativo e depois julga. Curiosamente temos uma tendência perversa de focalizar o negativo ao invés de aprendermos com o positivo. É quando privilegiamos os aspectos positivos de uma pessoa ou situação que podemos conduzir nossa mente a uma nova percepção.

Ainda estamos longe de transformar nossas mentes num campo de potencial puro. Hoje, ela é muito mais terreno fértil para conflitos e sofrimento. Mas o pressentimento está aí, rondando muitos daqueles que de alguma forma já experimentaram a delícia de captar um pouco da verdade. Quando tocamos o silêncio, somos autênticos criadores.

 

Fernando Vianna é instrutor de Meditação e Revitalização Integral. É consultor de I Ching, palestrante e realiza consultoria e treinamento em aperfeiçoamento pessoal.

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