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Festa Literária em Paraty celebra a resistência e alerta para o caminho que ainda há para se percorrer

Escrito em 02/08/2019
Revista Tudo


A edição 2019 da FLIP – Festa Literária de Paraty – aconteceu no mês passado, no Rio de Janeiro, e homenageou Euclides da Cunha, autor de Os Sertões.  Os números impressionam. Mais de 25 mil turistas se espalharam pelas mais de 650 atividades nos 5 dias de evento.  Mesas de discussão, debates, palestras, saraus e consertos encantaram, informaram e provocaram o público. 

Luta e resistência foram as palavras de ordem na maioria das atividades. Racismo, guerra, refugiados, preconceito e imigração foram debatidos à exaustão, num tom de debate mesmo, de expor pontos de vista, buscar soluções e apresentar sugestões para um mundo melhor. Claro que por meio da educação e literatura.  

A política não podia ficar de fora em um ambiente tão repleto de opiniões! E um dos momentos mais aguardados foi a presença do editor do site Intercept, Glenn Greenwald, convidado da Flipei (a Flip das editoras independentes), que participou de uma mesa em um barco “pirata”, falando sobre o jornalismo em tempos de Operação Lava Jato. Além do debate o público também presenciou uma  manifestação de simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro, que eram contra a presença do jornalista e enalteciam a figura do Ministro Sergio Moro. 

Destaques 

  1. O livro "Memórias da Plantação, da autora portuguesa Grada Kilomba, foi o mais vendido na livraria oficial da FlipGrada é escritora, teórica, psicóloga e artista portuguesa, com origens em Angola e São Tomé. Publicado originalmente em 2008, "Memórias da plantação" saiu no Brasil pela editora Cobogó durante o evento. É uma compilação de episódios do racismo cotidiano, baseado em conversas com mulheres da diáspora africana. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, a autora desconstrói a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser aquilo que se é. 

 

Memórias da Plantação - Episódios de Racismo Cotidiano 

Autora: Grada Kilomba 

Tradução: Jess Oliveira 

Editora: Cobogó (249 págs.; R$ 48) 

 

  1. O segundo lugar na lista dos best-sellers ficou com o romance de estreia da nigeriana  Ayobami Adebayo – Fique Comigo. Ambientado na Nigéria, conta a história de um casal e o seu casamento. Mas também debate as questões familiares da sociedade nigeriana e as mazelas e as dificuldades políticas enfrentadas pela população desse país nos anos 1980. 

 

Fique Comigo 

Autora: Ayobami Adebayo 

Tradução: Marina Vargas 

Editora: HarperCollins Brasil (240 págs.; R$ 39,90) 

 

  1.  O pensador indígena brasileiro Ailton Krenak completou o pódio da Flipcom seu "Ideias para adiar o fim do mundo", um parábola da destruição do rio Doce. Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros. “Ideias para adiar o fim do mundo” é uma adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal, entre 2017 e 2019. 

 

Ideias para adiar o fim do mundo  

Autor: Ailton Krenak 

Editora: Companhia das Letras (88 págs.; R[CONTENT]nbsp;24,90)