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Carta a uma mãe que vai entregar seu filho pela primeira vez na escola

Escrito em 04/02/2019
Revista Tudo


“é sempre o que eu já disse, sempre o desejo de que você descubra em si mesma paciência o bastante para suportar e simplicidade o bastante para acreditar. Que você ganhe mais e mais confiança para aquilo que é difícil, para a sua solidão em meio aos outros.”

Rainer Rilke (Cartas a um jovem poeta) 

 

Até então ele esteve com você, com a vovó ou até com aquela funcionária querida e super confiável. Mas ele está crescendo, você percebeu que ele precisa conviver com outras crianças, então partiu para a saga de conhecer várias escolas: localização, preço, proposta, como é a caminha, como é o parquinho, segurança...enfim, após muitas ponderações, noites sem fim pensando no assunto, você  optou por uma dessas escolas, acreditando ser a melhor! Mas mesmo assim o seu coração continua apertado, não é? Parece que a gente se sente sozinho em meio a uma multidão....  

Você fica aflita ao pensar se essas novas pessoas que irão conviver com ele irão entender o jeito como ele prefere brincar, como ele gosta de comer isto ou aquilo, os barulhinhos que ele faz quando recebe o seu cafuné, ou como ele costuma agir quando quer fazer cocô... o jeito como ele pede água...Enfim...tantos detalhes que agora serão compartilhados com o mundo! Sim, a Escola é esse mundo, o primeiro mundinho oficial e que seu filho terá suas primeiras vivências sociais, seus conflitos, aprenderá a dividir o que é dele, em suma, irá aprender a difícil e árdua tarefa de conviver com o outro! 

Mas eu te digo, vai ser bom, pode confiar, confie na sua escolha! Erga a cabeça, segure-o pela mão e conduza-o firmemente aos braços desse novo desafio! Não tenha medo de perguntar o que te aflige, pergunte mesmo! Converse com as outras mães, divida as suas impressões, esse momento da espera na adaptação é uma verdadeira terapia em que todos trocam suas experiências e muitas amizades podem surgir! Abra-se a isso! 

Mas e se ele chorar? Que grande angústia esse choro te provoca não é? Mesmo assim, após um período observando e acompanhando a adaptação, ele continua chorando. Os profissionais aconselham com segurança que o melhor a fazer é despedir-se e assegurar-lhe que você voltará para buscá-lo! Mas o que fazer com todo esse sentimento? Como é possível, sair, virar as costas, ir trabalhar, ir visitar aquele cliente, ir ao mercado, à academia, à faculdade ou qualquer lugar do mundo, com aquele barulho no peito? Não é fácil! Mas o choro quase sempre, é por ele ultrapassar essa barreira, ou por não conseguir expressar em palavras o turbilhão que toda essa vivência traz: as cores, os sons, as vozes, as texturas, as tessituras...  

E se ele não chorar e parecer nem se importar com o fato de você se despedir? Você até pode pensar que ele não liga mais pra você ou coisa do tipo, está formando vínculos com outras pessoas e você ficou pra trás?  Tudo isso passa pela nossa cabeça! Mas vou te dizer uma coisa, vocês vão passar por isso juntos e quer saber?? A sua relação com seu filho vai se fortalecer! Nunca vocês terão pertencido tanto um ao outro, pois agora ele está crescendo, está pronto para lançar-se nessa nova empreitada, você sabe disso e o melhor de tudo, ele  irá ampliar o seu mundo junto com você! Tantas coisas boas virão, vocês verão que conseguem! 

Vou dar mais algumas dicas:  

Procure não falar sobre toda essa ansiedade, nem conversar com os profissionais da escola sobre esse processo na presença do seu filho. Antes de começar as aulas converse sobre o assunto, mas não exagere... vão juntos escolher a mochila, a lancheira... Entregue de coração seu filho nas mãos do profissional que está ali preparado para recebê-lo. Todos querem a mesma coisa, que dê certo! E vai dar! Mas pense que a escola que você escolheu deve estar pronta para te acolher, responder suas dúvidas, vocês estão iniciando uma relação muito importante de parceria, confiabilidade e em muitos casos, até amizade e afeto. 

E quando passar por aquelas tardes de espera com outras parceiras nessa mesma experiência, escreva sobre isso, desenhe, pinte, borde, converse...busque canais de expressão para esse momento ou leia um livro! Vou dar uma dica de um simplesmente maravilhoso e inspirador (veja abaixo)! Na verdade eu me inspirei nele para te escrever essa carta, achei que esse formato iria te acalentar!  

Se quiser falar comigo, pode me procurar, também sou mãe, nesse momento a gente quer ser ouvida né? Pode me ligar...me chamar no whats! 

Boa sorte! Um abraço 

Adriana Xavier

Pedagoga e Psicopedagoga

11 998932003 

 

DICA DE LIVRO 

CARTAS A UM JOVEM POETA