Destaques TUdo

Coragem

Escrito em 21/04/2021
Revista Tudo


Não há como negar. O medo, para muitos, quando não há totalidade de nós, se agiganta com fúria em tempos onde a luz parece vencida pela morte, não mais a nos aquecer e iluminar.

Na raiz do medo, nessa angústia primordial, está o medo da morte, da extinção. “Serei capaz de dar conta da vida”? Essa é a pergunta silenciosa que ecoa desde sempre em nossos labirintos internos.

Pode-se entender a vida como algo muito maior que essa oportunidade finita que temos. Muito maior que o fato de ter nascido um dia e saber que esse período vai acabar com a morte. Podemos acreditar que vamos voltar, renascer. Podemos até acreditar que a vida é eterna. Mas, mais do que acreditar, temos que adquirir uma inabalável confiança nesta vida, a única que de fato podemos viver e experimentar agora.   

Temos esta convicção: o tempo que nos foi concedido, e que ignoramos, teve um começo e terá um fim. E esse é o medo, o medo do fim. E há ainda a questão do desconhecido. O que vem depois do fim? Ou não vem nada? Há também o aspecto do sofrimento. O medo não é simplesmente de deixar de viver, mas de como viver e como morrer. Deixarei de viver em paz? O que existe nessa passagem? Existe sofrimento? E como nós estamos sempre buscando o prazer e querendo nos distanciar da dor, num jogo incompreendido e sem fim, o medo inclui também o medo do sofrimento.

Coragem e coração têm a mesma raiz. O coração é uma das sedes das emoções, e a coragem é quando você se apossa delas, deixando de ser refém. Ser corajoso é tomar posse do seu coração. É iluminar e afirmar a vida, serenos, mesmo diante da dor e da inevitabilidade da morte. Nada terá valor se a coragem nos faltar.

Fernando Vianna é instrutor de Meditação e Revitalização Integral. É consultor de I Ching e palestrante. ferseth@gmail.com